terça-feira, 13 de junho de 2017

A essência do nadar

    A natação moderna baseia-se na competitividade, tendo como fim nadar cada vez mais rápido. Mas para quem não quer ou não gosta de competir mas gosta ou gostaria de nadar, qual seria a finalidade da natação? Pelo condicionamento físico,  pela prática de uma atividade saudável ou pelo prazer de estar se movendo na água? Pode ser tudo isso mas, pode ser muito mais. Podemos ter na natação uma excelente ferramenta de apoio ao desenvolvimento pessoal. Aprender que, se nada com a água e não contra a água, aprender o princípio da ação perfeita, compreender na prática o significado de "wu wei", vencer o orgulho (nosso pior inimigo), ser mais  consciente e desenvolver o auto conhecimento. Tudo isso pode ser alcançado com a prática da natação focada no ser como um fim, e todo o resto será consequência. Condicionamento físico, saúde, prazer em nadar, tudo será uma boa consequência de querer se desenvolver como ser humano através da uma prática mais consciente da natação. 
   Em determinado momento a relação com a água chega a ser algo meio místico, começamos a ver a água como um ser vivo que nos acolhe, que nos ensina a medida que nós deixamos a vontade de dominar, controlar e nos entregamos para tornarmos um só com ela. É uma questão de confiança, confiança de que a água pode fazer por nós aquilo que gostaríamos de fazer, assim, nos entregamos de corpo e alma a ela e o esforço para nadar desaparece. A essência para se conseguir tudo isso é relaxar, relaxar na água, saber relaxar enquanto nada, está é a chave que permite transcender a prática da natação em um nível superior de entendimento do corpo com a água. Relaxar é a essência do nadar.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Aprendendo a nadar com os animais

            Observar peixes e outros animais aquáticos em seu ambiente e imaginar-se nadando como eles é como voltar a ser criança, sonhar. Nunca nadaremos como eles mas podemos aprender muito observando-os, e usar isso para nossa natação. Devemos primeiro entender o que realmente é nadar como um desses animais. Se ficarmos focados em nadar rápido nos afastaremos cada vez mais da ideia de nadar como eles pois, a velocidade é uma consequência da forma como nadam, independente do tamanho e força, proporcionalmente, comparados a nós seres humanos, são todos rápidos quando necessário.
             Os órgãos responsáveis pela propulsão e equilíbrio dos peixes na água são as nadadeiras ou barbatanas. Nos mamíferos aquáticos, como as baleias e focas, as barbatanas são transformações das extremidades dos membros (mãos e pés). Ao observarmos estes animais em movimento notaremos que não há rigidez em suas nadadeiras, elas cedem à flexão e à pressão num estado de maleabilidade e flexibilidade. Então devemos crer que se fizermos o mesmo com nossas mãos e pés de forma coerente enquanto nadamos, seremos capazes de nadar melhor, com menos esforço.  
         Os golfinhos e baleias respiram através de um orifício localizado acima da cabeça, que é por onde eles expelem o ar e pegam fôlego para mergulhar. Este orifício está assim localizado para que não seja necessário elevar toda a cabeça fora da água para respirar, poupando esforço e energia. O nado de costas nos permite uma posição semelhante, boca e nariz ficam para cima enquanto a maior parte da cabeça está dentro da água. O Nado crawl também, pois no momento da respiração giramos até a boca e nariz saírem da água mantendo a maior parte da cabeça dentro. 
          Outro animal que nos faz pensar é o urso polar. Ele é um excelente nadador, nada num estilo cachorrinho usando seus membros dianteiros para propulsão, alcançando uma velocidade de até 9,7 km/h. Não é interessante esse detalhe de usar apenas os membros dianteiros para propulsão? Não usar os membros traseiros talvez economize energia e não faça diferença na propulsão. A pernada no nado crawl por exemplo tem uma função de sustentação e equilíbrio, ela parece ser propulsiva mas, na verdade, quando faz sua função de sustentação e equilíbrio do nado ela otimiza a propulsão dos braços deixando o corpo todo mais horizontal, próximo da superfície da água, diminuindo a resistência e facilitando o deslize, melhorando assim a velocidade e diminuindo o esforço. 
           Não é apenas uma questão de imitar os animais e sim compreender a mecânica dos movimentos que os fazem nadar com naturalidade. Ainda há muito o que observar e aprender com as mais variadas espécies de animais que tem a água como meio ambiente ou que passam boa parte de suas vidas nela e assim, vamos aprendendo, para nadar cada vez melhor.

domingo, 6 de setembro de 2015

Acreditando no "impossível"

Para a grande maioria das pessoas que gosta de nadar, nadar o golfinho é sinônimo de muito esforço. Nadá-lo é sonho impossível de se realizar pois o que se vê são pessoas se "matando" para conseguir atravessar uma piscina, assim, conclui que apenas atletas treinados e com muita força são capazes. Isso é o que vemos em toda parte: nos livros, nas matérias de revistas, dos próprios professores. "Borboleta é muito difícil e exige muito esforço". Acabamos aceitando como verdade e nem questionamos. E de certa forma é uma verdade pois é a vivencia da maioria, então é a verdade  dela, mas não uma verdade absoluta. Segundo estudos de especialistas e de acordo com seus cálculos, devido ao corpo relativamente grande, teoricamente é impossível um besouro voar. Mas ele voa. E talvez se ele soubesse dessa teoria ele nem tentaria voar e não voaria. O mesmo acontece, por exemplo, com meus alunos,  aqueles que já vem com o preconceito de que nadar o golfinho é difícil e é necessário muita força, tem mais dificuldade de aprender do que alunos que não tem essa noção e encaram-no como outro nado qualquer. Não é porque a maioria acredita que não dá pra fazer, que não dá pra fazer. A maioria já começa não acreditando por acreditar em quem não conseguiu e aí nem tenta, outros tentam mas não sabem o caminho certo para conseguir e se frustram e acabam desistindo e passam a acreditar que não dá pra fazer. Mas se você acreditar que é possível nadar o golfinho como qualquer outro nado, de que você consegue aprender e executá-lo de maneira relaxada e sem esforço, e trilhar o caminho certo para isso, então será capaz disso.

https://www.youtube.com/watch?v=zON8W9QaZFA

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A naturalidade de nadar

     Nadar pode ser tão natural como caminhar ou correr. Para isso é necessário muita prática, mas não uma prática qualquer. Tem de ser uma prática consciente que busque compreender e executar os nados de forma natural, que é a forma mais simples e ao mesmo tempo mais eficiente de se fazer alguma coisa. Muitas das técnicas ensinadas são artifícios usados na tentativa de tornar os nados mais eficientes, muitas vezes estudando apenas as partes e não o todo, analisando uma determinada articulação ou um grupo muscular desconsiderando momentaneamente outros que, na verdade, de alguma maneira estão interligados. Então uma posição ou um movimento que isoladamente pode parecer ideal pode não se encaixar no todo e aí o nado não flui. É preciso ver o todo para compreender as partes. Se é um artificio significa que é um meio artificial do qual se produz algo e se não é natural não é a melhor forma de fazer, pois tudo que fazemos com naturalidade utilizamos somente o que é necessário para cada ação. Quando o movimento é natural ele está livre de toda tensão desnecessária. Ao observar uma pessoa caminhando podemos constatar como os movimentos são feitos de forma descontraída, os braços soltos ao longo do corpo pendulando suavemente conforme o ritmo da passada, os pés saem do chão apenas o necessário para que não arraste ao dar o passo à frente, os músculos do tronco e membros inferiores se tensionam apenas o necessário para nos manter em pé. É assim que devemos pensar ao executar qualquer nado, nos perguntando o que estamos fazendo que não precisávamos fazer.
     Para que o nado se torne natural é preciso estar muito à vontade na água, estar totalmente adaptado e se sentindo parte dela. Depois é preciso estar consciente de nós mesmos e ter domínio de nossas ações. Na verdade estas ações são muito mais deixar de fazer do que fazer, pois é eliminando as tensões desnecessárias que conquistaremos a naturalidade nos movimentos e nos nados.

sábado, 9 de maio de 2015

A posição da cabeça durante a expiração

Durante o nado, no momento em que a cabeça se encontra dentro da água, devemos relaxar o pescoço e deixar que a água sustente a cabeça para nós. É o que acontece quando deitamos na água em decúbito ventral, de barriga para baixo, com o rosto na água, apenas boiando. Soltamos todo o corpo, relaxamos e flutuamos. Esta posição da cabeça é a mesma que devemos adotar durante o nado pois, é a posição natural da cabeça quando dentro da água. Não há tensão para posicioná-la, nem para baixo, nem para frente. A musculatura do pescoço fica relaxada e a água faz todo trabalho para nós. Naturalmente a cabeça assume uma posição mais baixa devido sua densidade, ficando a maior parte dentro da água e uma pequena parte da região posterior fora, como acontece com os icebergs, 90% dentro e só 10% fora d'água. Podemos observar também que o olhar fica voltado para baixo sem que possamos ver o que está à frente, ao menos que intencionemos para isso. Então, independente do nado, seja o crawl, o peito ou o golfinho, ao entrar com a cabeça na água ela assume a mesma posição para todos os nados. Durante o nado, no momento em que a cabeça se encontra dentro da água, devemos relaxar o pescoço e deixar que a água sustente a cabeça para nós. É o que acontece quando deitamos na água em decúbito ventral, barriga para baixo, com o rosto na água, apenas boiando. Soltamos todo o corpo, relaxamos e flutuamos. 

A respiração na natação

     Quando nadamos e não respiramos corretamente logo somos obrigados a parar para descansar e recuperar o fôlego. Uma má respiração faz com que não chegue oxigênio suficiente nos músculos para que possamos nadar de forma continua, ficamos com debito de oxigênio no organismo. Um bom condicionamento físico faz com que melhore a capacidade aeróbia, mas só o fato de praticar respirando da maneira correta conseguimos melhor desempenho com menos esforço. 
     Mas afinal, o que é uma respiração correta para nadar?
     Na natação inspiramos exclusivamente pela boca e a expiração é feita pela boca, pelo nariz ou pelos dois ao mesmo tempo. Apesar de as três formas de expiração serem validas a que fazemos só pelo nariz é a melhor por dois motivos, o primeiro é que podemos controlar melhor a respiração soltando o ar de forma mais regular e, segundo, dependendo da posição da cabeça ela evitará que entre água pelo nariz pois, enquanto o ar está saindo não tem como a água entrar.
     Essa respiração deve ser praticada até que ela se torne natural, assim: inspirar em um único tempo quando tirar o rosto da água e expirar quando dentro da água sem interrupção, quer dizer, sem prender o ar. Mas ela só se tornará natural quando for feita de forma tranqüila e relaxada, assim como é nossa respiração fora da água no ambiente terrestre. Além disso, existe a questão do ritmo do nado. Para manter uma respiração equilibrada que nos permita nadar muito e sem cansar é preciso observar o ritmo em que estamos nadando. Quando nadamos num ritmo que nos deixa ofegantes significa que nossa respiração não está acompanhando nosso corpo e em pouco tempo teremos que parar para regulariza-la, quer dizer, o oxigênio que chega aos musculos não está sendo suficiente. O que temos que fazer é exatamente o contrário, quem deve ditar o ritmo do nado não é corpo e sim a respiração, ele que deve se adequar ao ritmo da respiração e não o inverso como a grande maioria faz. Movimentar o corpo respeitando nossa capacidade respiratória trás o equilíbrio e assim conseguimos manter nossa atividade por mais tempo e de forma confortável.
     A respiração é o ponto de partida para que todo o resto funcione, uma respiração que não é natural limita nossa atuação, nossos movimentos, impedindo nossa progressão no que quer que façamos.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ação perfeita

Existe a ideia da "ação perfeita", esta ideia diz que tudo que fazemos podemos encontrar a ação perfeita para sua execução.
A "ação perfeita" é fazer algo onde a nossa ação está em perfeita harmonia com o objeto da ação, ou seja, nos sentimos um só com o objeto, como se ele fosse parte de nós ou nós dele, a força para a execução da ação desaparece, ritmo e coordenação estão na mais perfeita ordem.
Encontrando a "ação perfeita" na água conseguiremos nadar muito e sem esforço.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A alquimia da natação



Os alquimistas buscam transformar “chumbo em ouro”, ou seja,
transformar algo inferior em algo superior. A natação não deixa de ser uma alquimia pois, temos que transformar nosso corpo denso e pesado, duro e tenso em um corpo cada vez mais relaxado, leve e flexível para que nossa natação seja cada vez melhor. Afinal, é relaxando que flutuamos e nos movimentamos com naturalidade. Mas esta transformação só ocorre quando, primeiro, passamos por uma mudança interior pois toda mudança externa é apenas reflexo das internas. A verdadeira alquimia está no autoconhecimento, na busca da transformação do ser em um ser humano cada vez melhor, e neste caso a natação é nosso laboratório, nossa ferramenta para este fim maior.

Natação e Música


Uma boa música nos dá prazer durante e depois de ouvi-lá. Uma boa natação também nos dá prazer durante e depois de nadar, se isso não  acontece é porque nosso nado ainda não está em harmonia com a água, é como uma música desafinada ou notas musicais desarranjadas. Por isso nadar é como estar ouvindo música, se a música é boa temos prazer em ficar ouvindo,mas se é ruim, incomoda e queremos que acabe logo. Quando nadamos bem temos prazer em estar ali, nadando, mas, quando nadamos mal, nadar é um sacrifício e queremos, também, que acabe logo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Primeiro passo para melhorar o nado

Abaixo segue algumas das muitas questões sobre o nado crawl.
Ao nadar tente responder algumas delas, sem pressa, pois respostas rápidas levam a conclusões erradas, pode-se passar horas ou até dias observando, meditando sobre uma única questão. Perceber o que se faz é o primeiro passo para quem quer melhorar sua natação.

01) Qual a posição da palma da mão ao entrar na água?
02) A mão entra na água perto da cabeça ou longe da cabeça?
03) A mão entra na água na linha do ombro, mais para fora ou mais para dentro?
04) Durante a puxada as mãos estão espalmadas, em conchas? Dedos unidos ou separados?
05) Quanto o cotovelo está flexionado ou estendido durante a puxada?
06) Para onde a palma da mão aponta durante o início, o meio e o final da puxada?
07) No momento em que a mão está saindo da água ela está na cintura, no quadril ou na coxa?
08) A mão sai da água com a palma voltada para cima ou para dentro?
09) Durante a fase aérea da braçada a mão está mais alta ou mais baixa que o cotovelo?
10) Durante a fase aérea da braçada a mão está próxima da superfície da água ou bem mais alta?
11) Quanto o cotovelo está flexionado ou estendido durante a fase aérea da braçada?
12) Durante a fase aérea da braçada a mão está voltada para dentro, para trás, para fora ou para cima?
13) Quando o rosto está dentro da água você está olhando diretamente para baixo, um pouco para frente ou bem para frente?
14) Quando o rosto está dentro da água a cabeça fica totalmente parada ou tem algum movimento lateral?
15) Quando o rosto está dentro da água a cabeça está totalmente submersa, metade dentro ou a maior parte fora d'água?
16) E durante a respiração, a cabeça está mais dentro da água ou mais fora? está paralela a superfície ou inclinada?
17) Para onde está olhando durante a respiração?
18) Você entorta a boca para respirar ou apenas abre a boca?
19) O rítmo do braço é igual o tempo todo ou desacelera quando respira?
20) Quando uma mão sai da água onde está a outra? É igual dos dois lados?
21) Durante a respiração onde está a mão oposta a ela?
22) O braço entra na água e já começa a puxar ou alonga antes de começar a puxar?
23) O quadril fica parado, gira só quando respira ou gira para os dois lados independente de respirar ou não?
24) O tronco fica parado, gira com o quadril parado ou gira junto com o quadril?
25) Qual o tamanho da amplitude da pernada?
26) Quanto o joelho flexiona durante a pernada?
27) Qual a posição dos pés?
28) Há variação no rítmo da perna durante o nado?
29) Os pés ficam próximos da superfície, saem da água ou ficam fundos?
30) Cabeça, quadril e pés estão alinhados horizontalmente ou estão em profundidades diferentes?...

...Paro por aqui com a certeza de que ainda há muitas outras questões sobre a forma como nadamos.

Pontos Chaves

Mãos, punhos, cotovelos, ombros, pescoço, quadril, joelhos e tornozelos.
Saber relaxar e alongar os músculos destas articulações
na medida certa para cada momento do nado.
Estes são os pontos a serem estudados para o nado perfeito.

Assim se nada

Nade com a mesma atenção com que lê um lívro,
mergulhando na imaginação de como está nadando.
Observe seu nado da mesma forma que observa uma obra de arte,
cada vez que observa vai descobrindo coisas novas.
Nade apreciando seu nado assim como aprecia um bom prato,
a cada braçada é um momento de prazer.
Nade se entregando a água assim como se entrega a uma grande paixão,
nade de corpo e alma.
Nade com a água e não contra a água,
Seja um só com ela.

Atenção

Nadar sem prestar atenção no nado
é como ler um livro e não saber o que leu
é como ver um filme e não saber o que se passou
é como comer algo e não lembrar do sabor
é como ter música no ambiente e não estar ouvindo
é como estar na sala de aula e não escutar o professor.
Nadar sem prestar atenção no nado
é dizer que nada “contando azulejos"
é querer relaxar sem estar relaxado,
é nadar e não saber como está nadando,
é não aproveitar tudo o que a natação pode oferecer.

Como a água

A água é mole, mas não é fraca.
Ela é forte, mas não é dura.
Seja como a água:
Nade relaxado sem ser fraco.
Nade forte sem ser duro.

Compreensão

É você que se adapta a água e não ela a você.
Querer dominar a água é querer dominar o indominável.
A água só pode ser compreendida e não dominada e
ao compreende-la tudo que quiser fazer será feito por ela.
Por isso quem a compreende não se esforça para nadar.
A única coisa a ser dominada é a si próprio,
só assim será capaz de compreender a natureza da água.

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